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MARCO FATUCH - ENTREVISTA


O empresário Marco Antônio Fatuch já presidiu o Sindotel por 17 anos. Assume a gestão 2007/2010 depois de 19 anos afastado. Durante esse tempo administrou cinco hotéis na cidade, foi o primeiro presidente do centro de Convenções de Curitiba e o idealizador, fundador e pri- meiro presidente do Convention Visitours Bureau da cidade. Enérgico, mas sempre alegre e de bom humor, promete defender os pequenos estabelecimentos trazendo novas idéias. Segundo Fatuch, sua nova passagem pelo Sindotel promete ser a gestão da união. Para isso, ele vai dar continuidade ao trabalho desenvolvido pelo seu amigo e ex-presidente Emerson Jabur.






Fora todas as antigas gestões presididas do Sindotel o senhor ainda foi presidente do Convention Bureau de Curitiba?



Fatuch: Fui o primeiro presidente do Convention Bureau de Curitiba. Em 4 anos formatamos e implantamos a entidade. Mas antes do Convention Bureau, eu fui o primeiro presidente do Centro de Convenções de Curitiba, na Barão do Rio Branco. Isso no governo do Álvaro Dias, quando formatamos a compra do Cine Vitória e a companhia foi formada. Era uma companhia mista. E eu era o presidente, com a obrigatoriedade de fazer a adequação e a inauguração do Centro de Convenções de Curitiba.






Fora sua forte atuação na área pública, quais foram suas funções na vida particular?



Fatuch: Fui presidente do Clube Curitibano durante seis anos, de 1990 a 1996. Hoteleiro por 36 anos, admi- nistrando várias empresas. Comecei com o Plaza Hotel, depois fui pro Hotel Doral, na Desembargador Mota, de- pois com o Doral Torres, na Mariano Torres, daí o Doral Apucarana, em Apucarana, o Alvear, no bairro do Portão e agora o Del Rey, que era do meu pai em sociedade com meu tio. Atualmente também administro o Oásis Motel.






Recentemente voltou a discussão na Câmara dos Vereadores a polêmica do fechamento dos bares às 22h nos dias de semana e às 24h nos fins de semana. É de conhecimento de muitos que o projeto de lei é inconstitucional. Qual a posição do Sindicato diante disso?



Fatuch: Não é a primeira vez que o vereador Jorge Bernardes entra com essa mesma matéria. É uma matéria polêmica, porém é uma matéria que traz muita mídia. Eu sempre digo e já dizia na época em que eu era presidente, que notícia boa, a Rede Globo cobra pra colocar, notícia ruim ela põe de graça. Fazendo um paralelo, a gente sempre tem que estar trabalhando pra combater as más idéias, eu não vou dizer pra você que sou contra o fechamento, em determinadas áreas, na periferia, eu acho que ele é realmente necessário, e faz da criminalidade hoje o foco central. Mas não é o caso de uma avenida Batel, onde as casas geram empregos e fazem com que a economia se movimente. Essa é uma luta que nós vamos ter sempre, sempre teremos algumas dessas medidas polêmicas se ajustando. Como também é polêmica a situação do fumante e não fumante. Acredito que os estabele- cimentos que puderem se equipar para que os fumantes tenham suas áreas restritas, dentro da tecnologia que hoje é possível ser feita, deveriam fazer.






Então o senhor concorda que os estabelecimentos devem ter área para fumantes e não fumantes?



Fatuch: Sim, devem ter. Eu defendo o direito de existir área para fumantes, desde que equipadas corretamente, onde a influência da fumaça não vai causar àqueles que não fumam, dissabores. Recentemente assisti a uma pales-tra muito interessante da Philips Morris, no Rio de Janeiro, em que foi mostrado que é permissível e possível se fazer num estabelecimento uma área para fumantes que não interfira em nada, absolutamente em nada, com a área dos não fumantes.






Qual a posição da sua gestão frente ao Sindilitoral?



Fatuch: Nós desconhecemos o Sindilitoral, o ex-presidente Emerson Jabur, já vinha desenvolvendo uma ação junto ao Ministério do Trabalho para coibir a representatividade desse cidadão, que usa um nome fictício, se dizendo presidente de uma entidade que não existe. Por outro lado, quando há 20, 25 anos eu fiz a minha gestão, nós tínhamos o Paraná inteiro, não era subdividido. Fui eu que comecei a subdividir, para dar condições às áreas como Foz do Iguaçu, Ponta Grossa, Maringá, Londrina, que tivessem seus sindicatos.






Como será a sua gestão?



Fatuch: Vivemos em um sistema presidencialista e acreditamos que os colegiados deverão nos dar apoio, sustentabilidade e direcionamento das metas. Nas várias presidências desses últimos 30 anos que eu exerci ficou comprovado que se o presidente não puxar a carroça, os bois não andam. Eu vou tentar junto aos meus diretores delegar o máximo de poderes possíveis, para que cada área desenvolva a sua atividade inerente. Que a dos motéis responda pelos motéis, a dos restaurantes responda pelas reivindicações dos restaurantes, as áreas de fast foods nos tragam as reivindicações e desenvolvam soluções para os fast foods. Porém eu também não posso afirmar que terei sucesso total nessa empreitada. Alguns, sem dúvida, desempenharão essa função com maestria, outros deixa-rão a desejar e outros só constarão como nomes. Nesse caso eu vou ter que puxar as rédeas e dirigir a coisa.






Teremos, então, uma seqüência da gestão do Emerson?



Fatuch: Sem dúvida, é uma continuação. A principal ação será a união da classe. Aliás, o nome da chapa é “A União Faz a Força”. É uma chapa de consenso que pretende ter uma atenção toda especial com os pequenos associados, aqueles que necessitam de assessoria jurídica, principalmente na área trabalhista. Todas as grandes empresas têm seus departamentos jurídicos próprios. São nos pequenos que precisamos pensar, aqueles que utilizam o Sindicato para essa assessoria. Assim trabalharemos em várias áreas: saúde, jurídica e outras, para colaborar realmente com quem precisa.






No último informativo do Sindotel foi publicada uma entrevista com o especialista em turismo Mário Petrochi, que demonstrou que os números do turismo vêm caindo no Paraná. Segundo ele, isso acontece muito pela falta de união do trade turístico paranaense. Como sua gestão vai lidar com isso?



Fatuch: Eu estou em fim de carreira e não esperava estar aqui assumindo a presidência. Sempre tive um lema: onde eu passei, eu não volto mais. Principalmente porque todas aquelas metas que você tem quando exerce presidência, desenvolve um mandato e consegue atingi-las, faz com que você fique meio sem objetivo se ao prever uma sucessão. Eu fui obrigado a aceitar esse período de mais três anos. Quero dizer que nós procuraremos, principalmente nesse final de vida, pelo menos de vida pública, trabalhar pela união do trade turístico. Puxar todas as correntes para frente, para que se trabalhe atrás de um bem comum e não por interesses particulares. Eu posso me dar o luxo de tentar fazer isso, não vou mais despertar inveja nas pessoas nem outros sentimentos que desagreguem. sindicato. Fechei os dois anos de gestão que faltavam e peguei gosto. Começamos a organizar o sindicato no Paraná todo. Tínhamos por objetivo, na ocasião, fazer alguma coisa por nós. E conseguimos, construímos nossa atual sede. Imagine que naquele tempo nós só tínhamos uma mesa emprestada do sindicato “obreiro” dos trabalhadores em cerâmica e similares. Uma coisa meio inédita, um sindicato patronal operando de favor em um sindicato de trabalhadores, só com uma mesa, uma máquina de escrever e um funcionário que já vinha desde o início da fundação. Traçamos uma meta, a construção de nossa sede. E conseguimos! “São nos pequenos que precisamos pensar”.






Falando do passado, o que mudou da sua primeira gestão para agora?



Fatuch: Estou de barba branca, ficando careca, mas com aquela vontade brutal de início de vida. Eu comecei com 22 anos, em face da morte do presidente na ocasião, fui obrigado a assumir repentinamente. Eu era o secretário, as a composição sindical naquele tempo era: presidente, secretário, tesoureiro e só. Só existiam três membros e eu quando fui obrigado, pelo falecido general Massa – era tempo da ditadura – a assumir o sindicato. Fechei os dois anos de gestão que faltavam e peguei gosto. Começamos a organizar o sindicato no Paraná todo. Tínhamos por objetivo, na ocasião, fazer alguma coisa por nós. E conseguimos, construímos nossa atual sede. Imagine que naquele tempo nós só tínhamos uma mesa emprestada do sindicato “obreiro” dos trabalhadores em cerâmica e similares. Uma coisa meio inédita, um sindicato patronal operando de favor em um sindicato de trabalhadores, só com uma mesa, uma máquina de escrever e um funcionário que já vinha desde o início da fundação. Traçamos uma meta, a construção de nossa sede. E conseguimos!






Como será a composição da nova diretoria?



Fatuch: Ela foi montada exclusivamente por mim, não houve interferência pelos candidatos que iriam bater chapa e eu procurei fazer com que ela fosse mais representativa possível. Nela estão hoteleiros, restauranteiros, donos de buffet, de fast food, entre outros. São cidadãos que atuam na área e que eu pude ver que dariam algo de si em prol da coletividade. Porque muitas vezes podemos ter junto de nós um empresário grande, mas que não trabalha em prol da coletividade e sim em prol da sua organização. Esses homens que compõem a nossa chapa são homens que já trabalharam nas entidades e que já desenvolveram trabalhos específicos em prol do setor. Eles precisam dedicar um tempo seu ou da sua empresa para a coletividade, dando sua experiência e, principalmente, dando seu prestigio ao sindicato. É importantíssimo que tenhamos uma ligação muito estreita com o governo. Não se faz nada nesse Brasil sem o governo, os governantes são aquelas pessoas que representam grandes potenciais de lideranças políticas ou econômicas. Nesse particular nós estamos bastante realizados nessa composição de chapa, por termos conosco grupos de empresários estritamente paranaenses. Temos empresários que já dirigiram entidades, que já tiveram a honra e o prestígio de presidir uma Associação Comercial do Paraná e que vão dar a essa diretoria um respaldo junto aos órgãos públicos. Ou seja, o sindicato vai se utilizar de seus nomes para alavancar prestígio e obter resultados. Porque é muito normal que as pessoas se utilizem dos cargos para se promover. Aqui a premissa é exatamente o contrário, o sindicato vai se utilizar das pessoas para promover a sua entidade.

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